terça-feira, 19 de outubro de 2021

Análise das Melhores Redações / ENEM 2019

 Enem 2019: Inscrições abertas até o dia 17 de maio | QC Notícias


Confira a análise do tema da redação do Enem 2019

 

 INTRODUÇÃO

 

(sem título)

           De acordo com a Constituição de 1988, todos os cidadãos possuem o direito ao lazer na comunidade. Contudo, na atual sociedade brasileira, há uma ínfima democratização do acesso aos cinemas (TEMA) devido, majoritariamente, à negligência governamental e à má formação socioeducacional. (TESE)

 

 DESENVOLVIMENTO

 

             A priori, vale ressaltar o Pacto Social, do contratualista John Rawls, ao inferir que o Estado deve garantir os direitos imprescindíveis dos indivíduos, como o lazer e o bem-estar. (1º. ARG.) (INTRODUÇÃO) No entanto, é evidente o rompimento desse contrato quanto aos cinemas brasileiros, visto que existe uma concentração desses espaços nas áreas de maiores rendas, o que torna um ambiente excludente para uma parcela da sociedade. (DESENVOLVIMENTO) Assim, é notória a ineficácia estatal na integração desse tipo de lazer para toda a população, pois, com a grande distância dos locais periféricos aos centros urbanos e o elevado custo para ter esse acesso, os cidadãos se desestimulam a frequentarem os cinemas. (CONCLUSÃO)

            Além disso, alude-se ao pensamento do intelectual Paulo Freire, ao evidenciar que, "se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda". (2º. ARG.) (INTRODUÇÃO) Sob essa perspectiva, percebe-se a importância do estímulo nas escolas ao acesso dos jovens ao cinema, haja vista que existem muitos jovens que não conhecem seus direitos ao lazer, como o pagamento do valor de meia entrada nos cinemas por estudantes. (DESENVOLVIMENTO) Dessa forma, as instituições de ensino possuem uma importante função na democratização desse acesso, colaborando para que os cidadãos possuam um acesso aos seus direitos e o hábito de frequentarem os cinemas. (CONCLUSÃO)

 

 CONCLUSÃO

 

 PROPOSTA DE INTERVENÇÃO

 

            Portanto, urge ao governo federal, aliado às esferas estadual e municipal, (QUEM) descentralizar os cinemas, (O QUE) por meio da ampliação das redes cinematográficas em todo o Brasil e nos locais periféricos das cidades, (COMO) com a finalidade de permitir que toda a sociedade tenha esse acesso, (PARA QUE) sem haver uma locomoção de longa duração e com custo acessível aos indivíduos de baixa renda. (DETALHAMENTO)

           Ademais, compete à Escola, em parceria com as empresas cinematográficas, (QUEM) orientar os adolescentes a frequentarem os cinemas, (O QUE) por intermédio de projetos pedagógicos (como atividades lúdicas, filmes e documentários (COMO) que elucidem sobre a importância da crítica dos cinemas e como adquirir os direitos ao acesso e ao lazer, (DETALHAMENTO) a fim de aumentar o número de telespectadores dessa arte. (PARA QUE) Com isso, efetivar o que garante a Constituição de 1988, melhorando a democratização desse acesso.

Letícia Islávia, Teresina (PI)

https://g1.globo.com/educacao/

Acesso em: 3 de novembro de 2020, às 20h11


Abraços Fraternos,

Prof. Paulo Jorge

OBS.: Os conectivos estão em vermelho e em negrito.

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Análise das Melhores Redações / ENEM 2018

 INEP divulga gabaritos e cadernos de provas do Enem 2018 - InfoEscola

TEMA

 Redação do Enem 2018 tem como tema a 'manipulação do comportamento do  usuário pelo controle de dados na internet' | Enem 2018 | G1

INTRODUÇÃO

 

           No filme “O jogo da imitação”, o personagem Alan Turing consegue prejudicar o avanço da Alemanha nazista, porque decifrou os algoritmos correspondentes ao projeto de guerra de Hitler. Diante disso, pode-se observar, desde a segunda metade do século XX, a relevância do conhecimento tecnológico para atingir certos objetivos. Contudo, diferentemente de tal contexto, atualmente, utiliza-se a tecnologia, muitas vezes, não para o bem coletivo, como representado pelo filme, mas para vantagem privada, (TESE) mediante a manipulação de dados de usuários da internet. (TEMA)

 

 DESENVOLVIMENTO

 

         Em primeiro lugar, cabe abordar a dificuldade de regulação dos sites quanto ao acesso aos dados de quem está inserido no ambiente virtual. (1º. ARG) (INTRODUÇÃO) De acordo com Sartre, o homem deve zelar pelo bem coletivo em detrimento do individual, uma vez que ele está articulado a uma comunidade. No entanto, a tecnologia, atualmente, rompe com tal lógica altruísta, pois se prioriza o lucro gerado pela manipulação do indivíduo.  Isso ocorre porque muitas empresas detêm habilidades técnicas para traçar perfis individuais, direcionando, por conseguinte, o consumo, além de influenciar escolhas e gostos de cada um. (DESENVOLVIMENTO) Logo, verifica-se também uma ruptura com a filosofia kantiana de que a pessoa deve ser um fim em si mesma e não um meio de conseguir alcançar interesses particulares. (CONCLUSÃO)

          Ademais, outro fator a salientar é a falta de informação do público no que tange à internet. (2º. ARG.) (INTRODUÇÃO) Diante do advento da Era Tecnológica, nota-se uma educação incompleta e que não prepara o indivíduo para um mundo imerso em computadores e inteligência artificial. (DESENVOLVIMENTO) Nessa perspectiva, apesar de, desde a infância, estar em contato com tablets e celulares, a criança cresce sem saber discernir corretamente quais informações podem ser publicadas ou se seu dispositivo está realmente seguro. (CONCLUSÃO)

 

 CONCLUSÃO

 PROPOSTA DE INTERVENÇÃO

        

           Portanto, compete ao Ministério da Educação (QUEM) promover a inclusão de disciplinas como Ética e Tecnologia (O QUE), mediante a alteração na Lei de Bases e Diretrizes da Educação (COMO), que impulsionará uma maior difusão da percepção crítica acerca do mundo virtual (DETALHAMENTO 1) e de como utilizá-lo, a fim de mitigar a manipulação da conduta dos consumidores. (PARA QUE) Dessa forma, além de formar cidadãos mais capazes de reconhecer tal adversidade, será possível construir uma sociedade mais bem intencionada e preocupada com o bem coletivo. (DETALHAMENTO 2)

 Isabel Petrenko Dória, 18 anos, Curso pH

 OBS.: Os conectivos estão grafados em vermelho.

Prof. Paulo Jorge

terça-feira, 28 de setembro de 2021

Análise das Melhores Redações / ENEM 2017

 Enem 2017 - IFSULDEMINAS

Justiça de Saia » Tema da redação do Enem 2017 fala sobre a educação de  surdos no Brasil

 

EXEMPLO DE REDAÇÃO NOTA 1.000

(sem título)

A formação educacional de surdos encontra, no Brasil, uma série de empecilhos. Essa tese pode ser comprovada por meio de dados divulgados pelo Inep, os quais apontam que o número de surdos matriculados em instituições de educação básica tem diminuído ao longo dos últimos anos. Nesse sentido, algo deve ser feito para alterar essa situação, uma vez que milhares de surdos de todo o país têm o seu direito à educação vilipendiado, confrontando, portanto, a Constituição Cidadã de 1988, que assegura a educação como um direito social de todo o cidadão brasileiro.

Em primeira análise, o descaso estatal com a formação educacional de deficientes auditivos mostra-se como um dos desafios à consolidação dessa formação. Isso porque poucos recursos são destinados pelo Estado à construção de escolas especializadas na educação de pessoas surdas, bem como à capacitação de profissionais para atenderem às necessidades especiais desses alunos. Ademais, poucas escolas são adeptas do uso de libras, segunda língua oficial do Brasil, a qual é primordial para a inclusão de alunos surdos em instituições de ensino. Dessa forma, a negligência do Estado, ao investir minimamente na educação de pessoas especiais, dificulta a universalização desse direito social tão importante.

Em segunda análise, o preconceito da sociedade com os deficientes apresenta-se como outro fator preponderante para a dificuldade na efetivação da educação de pessoas surdas. Essa forma de preconceito não é algo recente na história da humanidade: ainda no Império Romano, crianças deficientes eram sentenciadas à morte, sendo jogadas de penhascos. O preconceito ao deficiente auditivo, no entanto, reverbera na sociedade atual, calcada na ética dilitarista, que considera inútil pessoas que, aparentemente menos capacitadas, têm pouca serventia à comunidade, como é caso de surdos. Os deficientes auditivos, desse modo, são muitas vezes vistos como pessoas de menor capacidade intelectual, sendo excluídos pelos demais, o que dificulta aos surdos não somente o acesso à educação, mas também à posterior entrada no mercado de trabalho.

Nesse sentido, urge que o Estado, por meio de envio de recursos ao Ministério da Educação, promova a construção de escolas especializadas em deficientes auditivos e a capacitação de profissionais para atuarem não apenas nessas escolas, mas em instituições de ensino comuns também, objetivando a ampliação do acesso à educação aos surdos, assegurando a estes, por fim, o acesso a um direito garantido constitucionalmente. Outrossim, ONGs devem promover, através da mídia, campanhas que conscientizem a população acerca da importância do deficiente auditivo para a sociedade, enfatizando em mostrar a capacidade cognitiva e intelectual do surdo, o qual seria capaz de participar da população economicamente ativa (PEA), como fosse concedido a este o direito à educação e à equidade de tratamento, por meio da difusão do uso de libras. Dessa forma, o Brasil poderia superar os desafios à consolidação da formação educacional de surdos.

Yasmin Lima Rocha / PI

 

ANÁLISE DA REDAÇÃO

introdução da dissertação-argumentativa é, basicamente, um resumo de todo o texto. Logo na primeira linha, a autora apresenta a tese, de maneira clara e simples: a formação educacional de surdos, no Brasil, encontra uma série de empecilhos. Ideia principal sucinta, objetiva e incontestável. Em seguida, Yasmin já sustenta sua tese no argumento principal: quem mostra essa triste realidade são dados do Inep que apontam que o número de matrículas de deficientes auditivos nas escolas brasileiras tem diminuído ao longo dos últimos anos.

Este argumento principal foi retirado da coletânea de textos motivadores da forma como pressupõe a grade de correção do Enem: já que é proibido copiar trechos da coletânea, o participante pode e deve reescrevê-los com suas próprias palavras, ou seja, deve fazer paráfrases. Após expor seu argumento principal, a autora indica que algo precisa ser feito (introdução e resumo da proposta de intervenção social exigida na quinta competência da grade de correção do Enem), já que a Constituição de 1988 assegura o ensino inclusivo.

No segundo parágrafo, iniciando o desenvolvimento da dissertação-argumentativa, Yasmin afirma que há um descaso por parte do Estado e que isso é o primeiro dos entraves à formação educacional dos surdos no país. Ela sustenta seu argumento secundário utilizando um exemplo como estratégia argumentativa: poucos recursos são destinados às escolas especializadas e poucas são as instituições escolares que adotam a Libras. Neste ponto, a participante enfatiza que a Libras é a segunda língua oficial do Brasil e que ele é fundamental para a inclusão dos surdos nas salas de aula.

Já no terceiro parágrafo, Yasmin dá início a uma segunda análise (muito bem sinalizada, por sinal): a do preconceito. Para fundamentar sua argumentação de que existe preconceito contra os surdos e, de quebra, cumprir a segunda competência no que concerne a relação de várias áreas de conhecimento ao tema da redação, a participante relembra o leitor que, no antigo Império Romano, crianças deficientes eram mortas. De acordo com Yasmin, os deficientes auditivos enfrentam uma sociedade preconceituosa que pressupõe que eles são menos capazes ou até inúteis, o que gera exclusão tanto na escola quanto no mercado de trabalho.

Por fim, no quarto e último parágrafo, o da conclusão, a autora reforça a necessidade de uma proposta de intervenção social, por meio de recursos oriundos do MEC, a fim de que escolas especializadas sejam construídas e que professores capacitados sejam formados para trabalharem nestas instituições. Por outro lado, ela também sugere que organizações não-governamentais (ONGs) e a mídia em geral promovam campanhas de conscientização.

Além de tudo que escrevemos anteriormente ao texto de Yasmin, trata-se de uma redação escrita de acordo com a norma culta da Língua Portuguesa, com coesão, coerência e progressão temática com a máxima da simplicidade e da objetividade.

 https://infoenem.com.br/

Acesso em: 7 de novembro de 2020, às 14h38

Prof. Paulo Jorge