Carpintaria das Palavras
quinta-feira, 30 de julho de 2026
segunda-feira, 20 de julho de 2026
Análise Redação Nota 1.000 / ENEM 2022
INTRODUÇÃO
(sem título)
Historicamente, a partir da implementação das missões jesuíticas no
Brasil colonial, os povos nativos tiveram suas tradições suprimidas e o seu conhecimento acerca das peculiaridades territoriais menosprezado. (ABERTURA DO TEXTO &
TEMA) Na contemporaneidade, a importância dessas populações configura um fator indispensável à
compreensão da diversidade étnica do nosso país. Contudo, ainda persistem desafios à valorização dessas comunidades, o que interfere na preservação de seus saberes. Logo, urgem medidas estatais que promovam melhorias nesse cenário. (TESE)
DESENVOLVIMENTO
Sob esse viés, é válido destacar a fundamentabilidade dos povos tradicionais como detentores de pluralidade histórica e cultural, que proporciona a
disseminação de uma vasta sabedoria na sociedade. (ARG. 1) (INTRODUÇÃO) Nesse
sentido, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional (Iphan) afirma as heranças tradicionais desses grupos como constituintes do patrimônio imaterial brasileiro. Dessa forma, sabe-se que a contribuição desses indivíduos para a formação intelectual do corpo social engloba
práticas de sustentabilidade, agricultura familiar e, inclusive, confere a eles uma participação
efetiva na economia do país. (DESENVOLVIMENTO EM DOIS
PERÍODOS) Assim, evidencia-se a extrema relevância dessas comunidades para a manutenção de conhecimentos diferenciados, bem como para a evolução da coletividade. (CONCLUSÃO)
Entretanto, a falta de representantes políticos eleitos para essa classe ocasiona a desvalorização das suas necessidades sociais, que não são atendidas pelos demais legisladores. (ARG. 2) (INTRODUÇÃO) Nesse contexto, a Constituição Federal assegura direitos inalienáveis a todos os
cidadãos brasileiros, abordando o dever de inclusão de povos tradicionais nas
decisões públicas. Desse modo, compreende-se que a existência de obstáculos para o reconhecimento da importância de populações nativas se relaciona à
ineficácia na incorporação de representantes que sejam, de fato, interessados na perpetuação de saberes e técnicas ancestrais
propagados para esses grupos. (DESENVOLVIMENTO EM DOIS
PERÍODOS) Sendo assim, comprova-se a ocorrência de um grave problema no
âmbito coletivo, o qual impede a garantia plena dos direitos básicos dessas pessoas. (CONCLUSÃO)
CONCLUSÃO
Diante do exposto, denota-se a urgência de propostas governamentais que alterem esse quadro. Portanto, cabe ao Estado (QUEM) – cuja função principal é a proteção dos direitos de seus cidadãos – (DETALHAMENTO) a implantação de mudanças no sistema eleitoral, (QUE) por meio da criação de cotas rígidas para a eleição de políticos oriundos de localidades nativas. (COMO) Tal reestruturação terá como finalidade a valorização de povos tradicionais, reconhecendo a sua fundamentalidade na composição histórica e cultural da sociedade brasileira. (RETOMADA À ABERTURA DO TEXTO & PARA QUE)
Maria Fernanda Simionato, de 21 anos. https://g1.globo.com/
OBS.: Os
Elementos Coesivos estão marcados em
vermelho.
Paulo Jorge de Jesus
Professor Especialista em Língua Portuguesa
sábado, 11 de julho de 2026
Análise Redação Nota 1.000 / ENEM 2021
Tema:
Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil
INTRODUÇÃO
(sem título)
Em “Vidas secas”, obra literária do modernista Graciliano Ramos, Fabiano e sua família vivem uma situação degradante marcada pela miséria. (ABERTURA DO TEXTO) Na trama, os filhos do protagonista não recebem nomes, sendo chamados apenas como o “mais velho” e o “mais novo”, recurso usado pelo autor para evidenciar a desumanização do indivíduo. Ao sair da ficção, sem desconsiderar o contexto histórico da obra, nota-se que a problemática apresentada ainda percorre a atualidade: a não garantia de cidadania pela invisibilidade da falta de registro civil. (TEMA) A partir desse contexto, não se pode hesitar – é imprescindível compreender os impactos gerados pela falta de identificação oficial da população. (TESE)
DESENVOLVIMENTO
Com efeito, é nítido que o deficitário registro civil repercute, sem dúvida,
na persistente falta de pertencimento como
cidadão brasileiro. (ARG. 1) (INTRODUÇÃO) Isso acontece, porque, como já estudado pelo historiador
José Murilo de Carvalho, para que haja uma cidadania completa no Brasil é necessária a coexistência
dos direitos sociais, políticos e civis. Sob essa
ótica, percebe-se que, quando o pilar civil não é garantido –
em outras palavras, a não efetivação do direito devido à falta do registro em
cartório –, não é possível fazer com que a cidadania seja alcançada na sociedade. (DESENVOLVIMENTO) Dessa
forma, da mesma maneira que o “mais novo” e o “mais velho” de Graciliano Ramos,
quase 3 milhões de brasileiros continuam por ser invisibilizados: sem nome
oficial, sem reconhecimento pelo Estado e, por fim, sem a dignidade de um cidadão. (CONCLUSÃO)
Além disso, a falta do sentimento de cidadania na população não registrada
reflete, também, na manutenção de uma sociedade historicamente excludente. (ARG. 2) (INTRODUÇÃO) Tal questão ocorre, pois, de acordo com a análise da antropóloga
brasileira Lilia Schwarcz, desde a Independência do Brasil, não há a formação
de um ideal de coletividade – ou seja, de uma “Nação” ao invés de, meramente, um “Estado”. (DESENVOLVIMENTO)
Com
isso, o caráter de desigualdade
social e exclusão do diferente se mantém, sobretudo, no que diz respeito às pessoas que não
tiveram acesso ao registro oficial, as quais, frequentemente, são obrigadas
a lidar com situações humilhantes por parte do restante da sociedade: das mais
diversas discriminações até o fato de não poderem ter qualquer outro documento se, antes, não tiverem sua identificação
oficial. (CONCLUSÃO)
CONCLUSÃO
Portanto, ao entender que a falta de cidadania gerada pela invisibilidade do não registro está diretamente ligada à exclusão social, é tempo de combater esse grave problema. Assim, cabe ao Poder Executivo Federal, (QUEM) mais especificamente o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, ampliar o acesso aos cartórios de registro civil. (QUE) Tal ação deverá ocorrer por meio da implantação de um Projeto Nacional de Incentivo à Identidade Civil, (COMO) o qual irá articular, junto aos gestores dos municípios brasileiros, campanhas, divulgadas pela mídia socialmente engajada, que expliquem sobre a importância do registro oficial para garantia da cidadania, (DETALHAMENTO) além de instruções para realizar o processo, a fim de mitigar as desigualdades geradas pela falta dessa documentação. (PARA QUE) Afinal, assim como os meninos em “Vidas secas”, (RETOMADA À ABERTURA DO TEXTO) toda a população merece ter a garantia e o reconhecimento do seu nome e identidade.
Fernanda Quaresma, 20 anos - Iguaracy (PE)
OBS.: Os Elementos
Coesivos estão marcados em vermelho.
Paulo Jorge de Jesus
Professor Especialista em Língua Portuguesa
segunda-feira, 29 de junho de 2026
sexta-feira, 19 de junho de 2026
Umas as / às outras?!
https://www.ernaniterra.com.br/o-portugues-brasileiro/
A expressão “umas às outras”, que indica uma
ação recíproca, tem crase, ou seja, existe nela a contração da preposição a com
o artigo definido feminino as. Equivale a “uma a + as outras”. Exemplo: “As colegas
elogiavam-se umas às outras em público, mas pelas costas eram pura maledicência”.
Uma forma de confirmar isso é transpor a expressão para o gênero masculino. Temos então “uns aos outros”, isto é, “uns a + os outros”. O mais clássico dos exemplos é “Amai-vos uns aos outros”.
Note-se que esse é um daqueles casos em que o
verbo não precisa ser transitivo indireto (como “elogiar” e “amar” não são)
para que a preposição se justifique.
https://veja.abril.com.br/coluna/sobre-palavras/
Acesso em 19 de junho de 2026, às 9h51
Paulo Jorge de Jesus
Professor Especialista em Língua Portuguesa
quarta-feira, 10 de junho de 2026
Carta-Denúncia
A
carta-denúncia é um documento formal usado para relatar irregularidades, abusos
ou crimes a autoridades competentes ou órgãos fiscalizadores. Ela deve conter a
identificação do remetente, a descrição detalhada dos fatos (o que, quem, quando
e onde) e provas, caso existam.
Abaixo,
veja um exemplo prático de uma carta-denúncia direcionada ao Ministério Público
sobre um problema ambiental:
Exemplo de
Carta-Denúncia
Salvador, BA, 10 de
junho de 2026.
Ao Ministério
Público do Estado da Bahia (MPBA)
Promotoria de Justiça de Meio Ambiente
Eu, [Seu
Nome Completo], brasileiro(a), estado civil, profissão, portador(a) da
cédula de identidade RG nº [Seu número] e inscrito(a) no CPF/MF sob o nº
[Seu número], residente e domiciliado(a) na [Seu endereço completo,
com CEP], venho, por meio desta, DENUNCIAR crime ambiental
continuado que vem ocorrendo na minha comunidade.
No dia [Data
do fato ou período em que ocorre], por volta das [Horário],
constatei que a empresa [Nome da Empresa Denunciada], inscrita no CNPJ
sob o nº [Número do CNPJ, se souber], localizada na [Endereço da
empresa ou local do crime], está realizando o descarte irregular de
efluentes químicos diretamente no [Nome do Rio, córrego ou área afetada].
O fato
vem causando [Descreva as consequências: mau cheiro, morte de peixes,
poluição da água, etc.] e prejudica diretamente a saúde de dezenas de
famílias que residem no entorno. Como morador(a) local, procurei os
responsáveis no dia [Data], mas nenhuma providência foi tomada.
Para fundamentar
esta denúncia, apresento em anexo:
ü Fotografias do local tiradas no dia [Data].
ü Vídeos que registram o despejo irregular no período noturno.
ü [Outros documentos pertinentes, como protocolos de
órgãos anteriores].
Diante
do exposto, solicito a este órgão ministerial que realize a fiscalização devida
no local e tome as providências cabíveis para cessar o dano ambiental e
responsabilizar os autores.
Solicito,
ainda, que sejam resguardados os meus dados pessoais de qualificação, temendo
retaliações, conforme previsto na legislação vigente.
Certos de contar
com a atuação e o rigor da Justiça, subscrevo-me.
Atenciosamente,
[Seu Nome Completo]
Telefone: [Seu Telefone]
E-mail: [Seu E-mail]
Paulo Jorge de Jesus
Professor Especialista em Língua
Portuguesa
segunda-feira, 25 de maio de 2026
Nenhum x Nem um
Embora na fala as duas expressões tenham quase a mesma pronúncia e quase o mesmo significado, há diferenças no emprego de “nem um(a)” e “nenhum(a)”.
Em alguns casos, as duas expressões são
equivalentes. Há apenas uma mudança de intensidade.
I - Nenhum
É um pronome indefinido variável em gênero e
número (ou seja, pode ir para o feminino e o plural), com um sentido negativo,
de esvaziamento. Pode ser trocado por “algum”.
Exemplos:
“José não rejeitava serviço nenhum.” (José não rejeitava serviço algum)
“Nenhum ser
humano está livre de doenças.” (Ninguém está livre de doenças)
“Nenhuma pergunta
foi feita ao professor.”
II - Nem um
Nesse caso, temos a conjunção “nem” seguida do
numeral “um”. Traz um sentido mais intenso de perda. Ele pode ser substituído
por “nem um sequer”, “nem um só”, “nem ao menos um”.
Exemplos:
"Nem um aluno
conseguiu resolver o problema." (Nem sequer um aluno)
"Seu argumento, melhor que nem um outro, acabou sensibilizando os jurados."
“Fiquei triste. Nem uma pessoa fez perguntas depois da palestra.” (Nem ao menos
uma pessoa)
No nosso dia a dia, raramente empregamos a
expressão “nem um”. É mais frequente usarmos o pronome indefinido “nenhum” para
a maioria das situações.
Acesso em: 25 de maio de 2026, às 19h19
Paulo Jorge de Jesus
Professor
Especialista em Língua Portuguesa
